A inveja e a vaidade são
riscos para desintegração do nosso coração
A Igreja precisa descobrir uma forma de chegar até o coração do artista. Não pela mesma via e pelo mesmo jeito que se chega ao coração das pessoas. Você tem um jeito de ser e precisa ser tratado na sua diferença, pois, se não cuidamos do jeito que somos, nos transformamos em monstros. O romântico corre o risco de ver a vida passar sem viver, perdendo o senso da realidade com ilusões.
A Igreja precisa descobrir uma forma de chegar até o coração do artista. Não pela mesma via e pelo mesmo jeito que se chega ao coração das pessoas. Você tem um jeito de ser e precisa ser tratado na sua diferença, pois, se não cuidamos do jeito que somos, nos transformamos em monstros. O romântico corre o risco de ver a vida passar sem viver, perdendo o senso da realidade com ilusões.

A
inveja é o grande risco da primeira desintegração do nosso coração de artista
por querer o que não nos pertence. Uma das coisas que me impressionam em Jesus
é a capacidade que Ele possui de fazer com que os outros tomem posse do que
realmente são. Pare de
se imaginar e de se projetar em realidades que não são concretas em sua vida,
pois isso é o mesmo que não viver!
O
conceito de pessoa dentro da filosofia e da teologia é estabelecido dentro de
dois polos:
1º Ser pessoa é se dispor de si.
2º É se dispor para o outro.
1º Ser pessoa é se dispor de si.
2º É se dispor para o outro.
Pois,
se você não é dono daquilo que é seu, como você vai oferecê-lo ao outro?
Conversão é processo de tomada de posse daquilo que se é. Deus não pode
trabalhar a partir do que não sou ou finjo ser, Ele não trabalha com fantoches.
Ser
pessoa é, antes de qualquer coisa, ter a disposição de fazer a vida valer a
pena mesmo tendo diante de si limites e qualidades. Não pode haver ser humano
realizado, feliz e cristão se não existir a busca daquilo que se é. A sua
conversão passará por essa compreensão.
Graças
a Deus, essa não é uma realidade que está acima de nós, mas é um movimento que
nos faz refletir sobre o que somos para descobrirmos quem somos nós.
A
nossa natureza artística é naturalmente artificial. Se por um lado somos
dotados de profundidade, por outro lado caímos facilmente em artifícios, visto
que, muitas vezes, nossas vidas se iluminam com algumas novidades. A nossa alma
é estética, temos uma facilidade muito grande para nos encantar pelo estético,
pelo belo, o que não é defeito e, sim, diferença que precisa ser domada.
A
nossa instabilidade afetiva é tão concreta que se não nos projetamos naquilo
que realmente somos, nós nos tornamos “prostitutos de luxo” de nossa arte. E
desse modo, corremos atrás de qualquer artifício passageiro e damos respostas
rápidas. E por não sabermos demorar, nos decepcionamos e cavamos em nosso
interior uma ausência de disposição de nós mesmos.
E,
assim, colocamos a vida na mão do outro e deixamos que este decida por nós. Por
essa razão, nós não temos condições de nos dispormos para o outro, porque
deixamos de nos dispor a nós mesmos. É por isso que o compromisso para o
artista é tão difícil de ser levado adiante.
Tomemos
cuidado para que o próprio Deus também não se torne a nossa vaidade! O destino desta vaidade somos nós
quem o escolhemos: ou a dominamos ou ela nos domina. A nossa vaidade se
multiplica de várias formas, por isso não inventemos um personagem.
Ao
descobrirmos onde está o nosso maior defeito descobriremos onde está a nossa
santidade. Uma coisa é saber o que somos, outra coisa é saber o que fazemos com
o que somos. E o pior é o que deixamos o outro fazer de nós! Não temos o
direito de nos deixar transformar na imaginação do outro.
Se
assumimos o compromisso de saber o que Deus fez e faz em nossa vida, começamos
a trabalhar em parceria com Ele, pois o que o Senhor fez nela ainda não está
pronto. Ele nos dá as sementes, o plantio é nosso. Deus não vem plantar a nossa
floresta.
Se
quisermos nos firmar sem medo da verdade antropológica essa é a verdade: “da
raiz que nos fez frutos, desfrutamos da divina condição”. O homem é o “tu” de
Deus, ele acontece plenamente no coração quando se dispõe a ser o que Deus é e
fez dele. Nós somos Deus na vida do outro, da namorada, do nosso filho, entre
outros, não é assumir uma divindade à parte, a nossa divindade só acontece com
nossa participação e comunhão com Deus e com os irmãos.
Se
saímos da mira de tudo o que é sagrado, não sabemos mais quem somos. Isso é
viver a identificação com Deus. É viver a arte de ser humano e divino ao mesmo
tempo, essas não são realidades que se opõem, mas sim parceria de duas
realidades que se dão juntas.
Vivamos
uma história de amor com nós mesmos e não permitamos que o outro nos sequestre.
Apaixonemo-nos por nós mesmos! O amor ao outro só é possível no momento em que
nos amamos.
Padre
Fábio de Melo
Fonte Canção Nova
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