sexta-feira, 13 de março de 2015

Francisco fala de sua eleição e pontificado a TV mexicana


Francisco fala de sua eleição e pontificado a TV mexicana Santo Padre comentou temas em evidência no seu pontificado e recordou o momento de sua eleição como Papa: “Pra mim também foi uma surpresa”

Da Redação, com Rádio Vaticano
Francisco concedeu entrevista à TV mexicana Televisa / Foto: Arquivo
Migrações e narcotráfico, a reforma da Cúria, os desafios para o Sínodo da Família e o momento de sua eleição como Bispo de Roma. Papa Francisco aborda esses temas em evidência nesses dois anos de pontificado em uma entrevista à TV mexicana Televisa, expressando seu desejo de viajar para o México.
Essa foi justamente a primeira pergunta da entrevista: “Por que não foi programada uma etapa, no México, quando fará a viagem, em setembro, aos EUA, para o Encontro Mundial das Famílias?”.

“Pensava em entrar nos EUA pela fronteira mexicana, mas passar por Ciudad Juarez ou Morelia sem visitar Nossa Senhora de Guadalupe deixaria os mexicanos muito frustrados. Além disso, o México não pode ser visto com pressa ou de passagem; seria necessário, pelo menos, uma semana, mas prometo que farei esta viagem como o país merece”, respondeu o Pontífice.

Sua eleição
Um dos momentos mais informais do encontro foi o relato de Francisco sobre o início do conclave que o elegeu. “Os jornalistas diziam que eu era um ‘cabo eleitoral’, que indicaria alguém; e eu fiquei em paz”.
Francisco contou que tinha recebido alguns votos no período da manhã. Durante o almoço, os cardeais começaram a perguntar como ele estava de saúde e, quando voltaram para a votação da tarde, a “partida estava decidida”.
 “Para mim também foi uma surpresa. Na primeira votação, depois do almoço, quando vi que a situação era irreversível, estava ao meu lado – e quero contar, porque isso é amizade – o Cardeal Hummes, que para mim é um grande amigo. Com a sua idade, é o Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia. E lá vai ele, de barco pelos rios, visitar as igrejas… Ele estava ao meu lado, e já na metade da primeira votação da tarde, me dizia: ‘Não se preocupe, é obra do Espírito Santo’. Eu achava graça. Depois, na segunda votação, quando os votos somaram dois terços, vieram os aplausos – como em todos os conclaves – e a conta dos votos. Aí ele me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. Isso ficou rodando na minha cabeça e foi o que me levou à escolha do nome Francisco”.

Nossa Senhora de Guadalupe
Na sala da Casa Santa Marta, onde o Papa se encontra com seus colaboradores mais próximos, em destaque uma imagem da Virgem de Guadalupe, uma figura de grande devoção para todo o continente latino-americano. Foi neste cômodo que, por vontade do Papa, foi concedida a entrevista à emissora mexicana.
Para Francisco, Nossa Senhora de Guadalupe é “fonte de unidade cultural que leva para a santidade em meio a tanto pecado, a tanta injustiça, a tanto sofrimento e a tanta morte”.

Drama das migrações
Os males do México, comentou o Papa, são similares àqueles do resto do mundo: o drama das migrações e os muros levantados para enfrentá-los. Francisco falou das fronteiras entre Estados Unidos e México, mas recordou também os migrantes forçados a atravessar o Mediterrâneo em busca de uma vida melhor ou em fuga das guerras e da fome.
São os sistemas econômicos distorcidos que provocam estes grandes deslocamentos, a falta de trabalho, a cultura do descartável aplicada ao ser humano, explicou o Papa, que também comentou a realidade do narcotráfico. “Onde há pobreza e miséria, o crime encontra terreno fértil”. Francisco recordou os 43 jovens massacrados por traficantes em Iguala e revelou que quis prestar homenagem à memória deles nomeando cardeal o arcebispo de Morelia.
O Papa, sendo filho de migrantes, sente-se espontaneamente levado a dar voz às vítimas do tráfico e de uma sociedade injusta, mesmo se, como observa, seria infantil atribuir a responsabilidade somente aos governos. É preciso, segundo ele, aprender a não se afastar para o outro lado diante do mal do mundo. O empenho dos católicos requer exercício de proximidade.

Reforma da Cúria
O Pontífice latino-americano toca todos os temas que caracterizaram os seus dois anos de pontificado, antes de tudo a atenção aos pobres.
Depois, o trabalho de reforma da Cúria, não tanto a forma, mas o conteúdo. Cada mudança começa pelo coração, explicou o Papa, e comporta uma conversão no modo de viver. Uma conversão que envolve a própria figura do Pontífice e que está na base dos protocolos que tanto entusiasmam o povo de Deus.

Pontificado breve?
Questionado se gosta de ser Papa, Francisco riu e respondeu: “Faz-me falta sair do Vaticano livremente, ir a uma pizzaria sem ser reconhecido”. Mas o tempo à disposição não parece ser muito. Ele admite ter a sensação de que seu pontificado será breve, mas afirma que também pode estar errado.
Quando perguntado sobre a possibilidade de uma saída por limite de idade, como acontece com os bispos, Francisco respondeu que não compartilha visão semelhante para a figura do Pontífice; ele define o papado como uma graça especial. Porém, disse apreciar o caminho aberto por Bento XVI sobre a figura do Papa Emérito, definindo-a como uma escolha corajosa, assim como foi corajosa a decisão de tornar pública a gravidade dos abusos cometidos por alguns membros da Igreja contra crianças e a necessidade de cuidar das vítimas.

Sínodo da Família
Proteger e acompanhar. São os mesmos imperativos que Francisco atribui à Igreja quando fala do Sínodo da Família, que se reunirá em outubro deste ano para a sua segunda etapa. Ele lembrou que há grandes expectativas sobre temas complexos e delicados, como o da comunhão aos divorciados que se casaram novamente ou a questão da homossexualidade.

O que é certo para Francisco é que a família atravessa uma crise nunca vista antes; é preciso partir de uma pastoral que se dirija, antes de tudo, aos jovens e aos recém-casados. A trilha do Papa está traçada. Ele já olha para setembro com o ponto fixo na Filadélfia, para o Encontro Mundial das Famílias, para a África, que visitará em breve, e para a América Latina que o espera.




Fonte Canção Nova

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