Francisco fala de sua eleição e pontificado a TV mexicana Santo Padre comentou temas em evidência no seu pontificado e recordou o momento de sua eleição como Papa: “Pra mim também foi uma surpresa”
Da Redação, com Rádio Vaticano
Migrações e narcotráfico, a reforma da Cúria, os
desafios para o Sínodo da Família e o momento de sua eleição como Bispo de
Roma. Papa Francisco aborda esses temas em evidência nesses dois anos de
pontificado em uma entrevista à TV mexicana Televisa, expressando seu desejo de
viajar para o México.
Essa foi justamente a primeira pergunta da
entrevista: “Por que não foi programada uma etapa, no México, quando fará a
viagem, em setembro, aos EUA, para o Encontro Mundial das Famílias?”.
“Pensava em entrar nos EUA pela fronteira mexicana,
mas passar por Ciudad Juarez ou Morelia sem visitar Nossa Senhora de Guadalupe
deixaria os mexicanos muito frustrados. Além disso, o México não pode ser visto
com pressa ou de passagem; seria necessário, pelo menos, uma semana, mas
prometo que farei esta viagem como o país merece”, respondeu o Pontífice.
Sua eleição
Um dos momentos mais informais do encontro foi o
relato de Francisco sobre o início do conclave que o elegeu. “Os jornalistas
diziam que eu era um ‘cabo eleitoral’, que indicaria alguém; e eu fiquei em
paz”.
Francisco contou que tinha recebido alguns votos no
período da manhã. Durante o almoço, os cardeais começaram a perguntar como ele
estava de saúde e, quando voltaram para a votação da tarde, a “partida estava
decidida”.
“Para mim
também foi uma surpresa. Na primeira votação, depois do almoço, quando vi que a
situação era irreversível, estava ao meu lado – e quero contar, porque isso é
amizade – o Cardeal Hummes, que para mim é um grande amigo. Com a sua idade, é
o Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia. E lá vai ele, de barco
pelos rios, visitar as igrejas… Ele estava ao meu lado, e já na metade da
primeira votação da tarde, me dizia: ‘Não se preocupe, é obra do Espírito
Santo’. Eu achava graça. Depois, na segunda votação, quando os votos somaram
dois terços, vieram os aplausos – como em todos os conclaves – e a conta dos
votos. Aí ele me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. Isso ficou
rodando na minha cabeça e foi o que me levou à escolha do nome Francisco”.
Nossa Senhora de Guadalupe
Na sala da Casa Santa Marta, onde o Papa se
encontra com seus colaboradores mais próximos, em destaque uma imagem da Virgem
de Guadalupe, uma figura de grande devoção para todo o continente
latino-americano. Foi neste cômodo que, por vontade do Papa, foi concedida a
entrevista à emissora mexicana.
Para Francisco, Nossa Senhora de Guadalupe é “fonte
de unidade cultural que leva para a santidade em meio a tanto pecado, a tanta
injustiça, a tanto sofrimento e a tanta morte”.
Drama das migrações
Os males do México, comentou o Papa, são similares
àqueles do resto do mundo: o drama das migrações e os muros levantados para
enfrentá-los. Francisco falou das fronteiras entre Estados Unidos e México, mas
recordou também os migrantes forçados a atravessar o Mediterrâneo em busca de
uma vida melhor ou em fuga das guerras e da fome.
São os sistemas econômicos distorcidos que provocam
estes grandes deslocamentos, a falta de trabalho, a cultura do descartável
aplicada ao ser humano, explicou o Papa, que também comentou a realidade do
narcotráfico. “Onde há pobreza e miséria, o crime encontra terreno fértil”.
Francisco recordou os 43 jovens massacrados por traficantes em Iguala e revelou
que quis prestar homenagem à memória deles nomeando cardeal o arcebispo de
Morelia.
O Papa, sendo filho de migrantes, sente-se
espontaneamente levado a dar voz às vítimas do tráfico e de uma sociedade
injusta, mesmo se, como observa, seria infantil atribuir a responsabilidade
somente aos governos. É preciso, segundo ele, aprender a não se afastar para o
outro lado diante do mal do mundo. O empenho dos católicos requer exercício de
proximidade.
Reforma da Cúria
O Pontífice latino-americano toca todos os temas
que caracterizaram os seus dois anos de pontificado, antes de tudo a atenção
aos pobres.
Depois, o trabalho de reforma da Cúria, não tanto a
forma, mas o conteúdo. Cada mudança começa pelo coração, explicou o Papa, e
comporta uma conversão no modo de viver. Uma conversão que envolve a própria
figura do Pontífice e que está na base dos protocolos que tanto entusiasmam o
povo de Deus.
Pontificado breve?
Questionado se gosta de ser Papa, Francisco riu e
respondeu: “Faz-me falta sair do Vaticano livremente, ir a uma pizzaria sem ser
reconhecido”. Mas o tempo à disposição não parece ser muito. Ele admite ter a
sensação de que seu pontificado será breve, mas afirma que também pode estar
errado.
Quando perguntado sobre a possibilidade de uma
saída por limite de idade, como acontece com os bispos, Francisco respondeu que
não compartilha visão semelhante para a figura do Pontífice; ele define o
papado como uma graça especial. Porém, disse apreciar o caminho aberto por
Bento XVI sobre a figura do Papa Emérito, definindo-a como uma escolha
corajosa, assim como foi corajosa a decisão de tornar pública a gravidade dos
abusos cometidos por alguns membros da Igreja contra crianças e a necessidade
de cuidar das vítimas.
Sínodo da Família
Proteger e acompanhar. São os mesmos imperativos
que Francisco atribui à Igreja quando fala do Sínodo da Família, que se reunirá
em outubro deste ano para a sua segunda etapa. Ele lembrou que há grandes
expectativas sobre temas complexos e delicados, como o da comunhão aos
divorciados que se casaram novamente ou a questão da homossexualidade.
O que é certo para Francisco é que a família
atravessa uma crise nunca vista antes; é preciso partir de uma pastoral que se
dirija, antes de tudo, aos jovens e aos recém-casados. A trilha do Papa está
traçada. Ele já olha para setembro com o ponto fixo na Filadélfia, para o Encontro
Mundial das Famílias, para a África, que visitará em breve, e para a América
Latina que o espera.
Fonte Canção Nova

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