Consagre-se a Maria todos os dias
O mais
lindo título com que os nossos irmãos da Igreja oriental saúdam Nossa Senhora é
Santa Mãe de Deus. Há quem diga que “Santa Maria”, a segunda parte da oração
ave-maria, é uma invenção da Igreja. Chegam até a dizer que nem se deve
rezá-la. Posso afirmar, porém, que é uma bem-aventurada “invenção” da Igreja.
Mas entenda bem o sentido que quero dar à palavra “invenção”.
O
que aconteceu? Nestório, patriarca de Constantinopla, afirmava que Maria
Santíssima não era Mãe de Deus, mas somente mãe da pessoa humana de Jesus
Cristo. No Concílio de Éfeso, a maternidade da Santíssima Virgem e a unidade
das duas naturezas numa só pessoa em Jesus Cristo foram definitivamente
proclamadas: Jesus Deus e homem. São Cirilo, bispo de Alexandria e presidente
do Concílio de Éfeso, defendeu essa verdade no cristianismo contra as
investidas dos hereges no ano 431.
No
dia do encerramento do Concílio, foi lido o decreto Dogma da Maternidade Divina
de Maria Santíssima. O papa Celestino I, que estava presente, emocionado e com
lágrimas nos olhos, ajoelhou-se e respeitosamente saudou Nossa Senhora assim:
“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa
morte. Amém!”
Todo
Concílio ouviu e respondeu com um grande “Amém!” Essa foi a origem da segunda
parte da ave-maria. Foi ou não uma linda invenção? Ao anoitecer, levaram o
resultado ao povo. Assim que todo ele tomou conhecimento da conclusão do
Concílio, saiu em procissão com velas, com tochas, pela cidade de Éfeso. O que
mais o povo proclamou naquela noite foi: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por
nós pecadores, agora, e na hora da nossa morte”. Nunca mais deixou de unir a primeira
parte da ave-maria à segunda.
Fui
para o seminário muito menino, com treze anos, pois naquele tempo o costume era
esse. Ao chegar, deparei-me com aquela vida de pureza, justa, vivida com a
insistência que era necessária para que vivêssemos assim. Mas, infelizmente,
tinha trazido todas as consequências da minha infância de menino da periferia
de São Paulo. Graças a Deus, tinha uma boa família, mas ao lado da minha casa,
do meu colégio, havia muitos meninos com quem aprendi coisa errada. E para o
seminário eu fui, assim, com muita bobagem na cabeça.
Tinha
uma dificuldade enorme de viver a pureza, e não fazia por maldade, era fraqueza
mesmo. Quando o meu diretor, observando minha sinceridade ainda naquele
primeiro ano, disse-me: “Consagre-se a Nossa Senhora e todos os dias, antes de
se deitar, ao pé de sua cama, reze três ave-marias e você vai ver como ela lhe
dará a vitória”.
Com
aquela simplicidade de menino – mas menino que queria vencer e não tinha forças
–, eu fiz do jeitinho que o meu diretor falou. Dou graças a Deus: com treze
anos, eu me consagrei a Nossa Senhora.
Eu
não sabia dessa frase que, depois, João Paulo II iria usar: Totus Tuus, que
quer dizer: Todo Teu. Mas, mesmo sem saber, eu havia me consagrado todo a ela,
na minha simplicidade de criança. Comecei, a partir daquele dia – todas as
noites, antes de me deitar – a rezar três ave-marias.
Foi
como se passasse, primeiramente, um escovão na minha vida. Depois um pano úmido
para limpar tudo. “Aquelas coisas” desapareceram. Durante um tempo longo. Só
bem mais tarde, quando entrei numa época de crise, é que essas coisas voltaram
a me atacar. Mas, durante todo aquele tempo de menino no seminário, de
adolescente, de jovem, nada mais daquilo me atingiu.
Não
foi por merecimento e nem por minha força, não! Eu pude experimentar, ainda
menino, a eficácia daquilo que o meu diretor falou. Hoje, é o que temos de
dizer a todos aqueles que querem lutar e vencer. A todos aqueles que se sentem
sozinhos e não são capazes de vencer. Eu digo a você: não deixe para depois.
Faça isso hoje. Faça como João Paulo II fez: Totus tuus – sou Todo teu. Vai ser
como um nome novo que assumimos: “Todo teu”.
Consagre-se
a ela. Hoje, consagrar-se é justamente colocar-se ao seu lado e entregar-se a
ela. Ser como uma criança que se confia ao coração dela, que se joga em seus
braços, que se põe debaixo de seu manto. Como uma criança assustada, como um
menino necessitado que vem correndo para a mãe, que se atira no colo, que se
joga no coração dela, que se põe debaixo do manto. Uma criança guardada,
protegida. Que vence sob o manto dela.
Tenha
a certeza de que vencerá! Eu aprendi, graças a Deus, ainda muito cedo:
realmente ela é a Auxiliadora dos Cristãos. A vitoriosa das batalhas de Deus.
Na sua luta pessoal contra o pecado, na sua luta para ser cidadão do Céu, para
imunizar-se de todo pecado, você precisa dela como a sua Mãe, sua protetora,
sua advogada.
Fonte
Canção Nova / Monsenhor Jonas Abib
Trecho
retirado do livro: Maria, mulher do Gênesis ao Apocalipse.

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